TERRITÓRIOS DA MODA”: O SETOR DA MODA NO RIO DE JANEIRO


Starting this February, I will be contributing with two articles per month about Fashion Law to SolteaGravata.com - an online resource for "non-traditional" legal topics, such as fashion, entertainment, sports, etc.  

Even though the articles are written in Portuguese, I will posting them here as well.  This one is my second article.  It talks about the study entitled "Territórios da Moda" that analyzes in details the fashion sector in the city of Rio de Janeiro.  

Back in January I had already written a post (in English) here on the blog about this study.  You can check it out here

My first article on Solteagravata.com dealt with the Piracy Paradox theory.  The post about this article can be accessed here.

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O crescimento do país em diversas áreas reflete a importância e destaque do Brasil na cena internacional dos anos recentes. A indústria da moda é um dos setores expoentes nesse processo. Em 2011, o ranking da Forbes mostrou que duas das cinco modelos mais bem pagas do mundo foram brasileiras. Gisele Bündchen no primeiro lugar, com US$ 45 milhões e Adriana Lima em quarto, com US$ 8 milhões. Além disso, designers e marcas brasileiras estão cada vez mais conquistando o cenário internacional da moda, seguindo os passos de Pedro Lourenço, Osklen e Alexandre Herchcovitch. 

Não há dúvidas de que o Rio de Janeiro é uma referência para o Brasil e um dos principais berços criativos da moda brasileira. Por conta disso, a Prefeitura do Rio de Janeiro por intermédio do Instituto Pereira Passos e SEBRAE-RJ encomendou uma pesquisa ao Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas para mapear a cadeia produtiva da moda no município, visando contribuir para o desenvolvimento do setor através da elaboração de políticas públicas. O resultado foi o estudo “Territórios da Moda”, foco deste artigo. 

A moda carioca caracteriza-se pelo estilo de vida vanguardista e único do Rio, que resulta na fácil aceitação e admiração de suas tendências. É um setor ainda bastante familiar que vivencia a substituição de criadores individuais por equipes de criação. As novas tecnologias exercem papel importante para a moda carioca e diversos instrumentos são utilizados como estratégias de negócios, como um web site oficial para expor os produtos e ao mesmo tempo blogs e redes sociais para aproximar e atrair seus clientes. 

Os principais atores desse setor são as marcas, confecções, facções e costureiras externas. As três últimas, juntas, geram um faturamento anual de cerca de R$ 900.000.000 e mão de obra aproximadamente de 33 mil pessoas. A pesquisa mostrou também que a maioria das marcas e confecções cariocas são de médio porte com faturamentos anuais entre R$ 36 e 240 mil, sendo que somente 4% das pesquisadas possuem faturamento acima de R$ 2,4 milhões. 

O estudo definiu a moda carioca em três territórios: território fashion, territórios dos ateliês e novos territórios. O território fashion é a “vitrine do Rio”, formado por marcas de grifes já consolidadas no mercado da moda. Caracteriza-se pela produção terceirizada; fornecedores de diversos produtos e matérias primas; confecções e facções, essenciais para a modelagem, corte e montagem de algumas partes das peças; vendas no varejo e também no atacado, tendo em vista o crescimento do setor; e pela estamparia, visto que a demanda por estampas criativas e com estilo “carioca” é grande. O modo de produção terceirizada reflete a visão do setor da impossibilidade de uma única empresa controlar todo o processo produtivo, além de ser uma forma de escapar dos encargos tributários. 

O território dos ateliês, que inclui os setores de vestuário, calçados e acessórios é marcado pelo empreendedorismo doméstico, onde o proprietário e estilista são responsáveis por toda cadeia de produção, do desenho à venda; e com confecção das peças feita à mão. Mas a principal característica deste território é a criatividade e a exclusividade. Atores desse setor buscam manter a exclusividade e um conceito atrás de seus produtos e não somente vendas em grandes quantidades. Ou seja, há uma valorização do design acima de qualquer outro aspecto. E, justamente por este motivo, muitos designers já se tornaram alvo de cópias e imitações. No entanto, consideram as cópias como um reconhecimento de seus trabalhos e não acham que a questão deva ser tratada juridicamente, pois as vêem como parte do processo de criação e recriação. 

Por fim, os novos territórios envolvem todo o circuito nas periferias e subúrbios do Rio. É um segmento voltado aos públicos B, C e D e sem fortes investimentos na criação e design. Pelo contrário, verifica-se a criação de peças muito parecidas com as já existentes no mercado. O desenvolvimento desse setor reflete o crescimento da classe C, que possui hoje consumidores mais exigentes que anteriormente. 

No entanto, apesar da separação em três territórios bastantes distintos, no geral, a moda carioca enfrenta os mesmos problemas. A alta tributação é tido como o principal deles. Como resultado, a terceirização é o sistema utilizado para contornar esta realidade. Em seguida, aponta-se a escassez de mão-de-obra qualificada, principalmente de costureiras para trabalhos mais elaborados. Outro aspecto levado por representantes dos novos territórios é a concentração de designers no circuito fashion, gerando escassez para as empresas não incluídas nesse segmento. 

As propostas de estratégias trazidas pela pesquisa para buscar fomentar o setor da moda carioca incluem a criação do selo “Feito no Rio”, potencializar eventos, investir em programas de qualificação e formação de mão-de-obra, editais de fomento e premiações e apoio ao desenvolvimento de mídias alternativas. 

Os resultados e relatórios na íntegra da pesquisa podem ser acessados no web site da Prefeitura do Rio de Janeiro (www.rio.rj.gov.br). 

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