COMO A FOREVER 21 CONSEGUE?


O artigo desta semana no SolteaGravata.com trata da intrigante história da Forever 21 e como ela vem conseguindo vencer acusações de "roubar" criações de designers e vendê-las como suas próprias. 

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COMO A FOREVER 21 CONSEGUE? 

A rede americana de roupas e acessórios voltada ao público jovem Forever 21 foi fundada em 1984, em Los Angeles, pelo casal de imigrantes coreanos, Don Won Chang e Jin Sook Chang. Nos 28 anos de existência, a empresa foi de uma pequena loja no subúrbio de Los Angeles inicialmente chamada “Fashion 21”, que revendia modelos trazidos da Coréia do Sul, para uma das maiores redes de fast fashion do mundo. 

Além de questões trabalhistas, a Forever 21 já foi processada mais de 50 vezes nos Estados Unidos por “roubar” criações de designers e vendê-las como próprias em suas lojas. O fato de sempre conseguir passar por cima de todos os processos – a Forever 21 nunca perdeu nenhum desses casos na justiça - é o mais intrigante na sua história e tema sempre citado em discussões de Direito da Moda. 

As vítimas das cópias são desde designers independentes (Trovata, Foley + Corina e 3.1. Phillip, por exemplo) até renomados e conhecidos designers, como Diane Von Furstenberg e Anna Sui. 


Nos Estados Unidos, estampas de tecidos são protegidas pelo direito autoral, mas os designs de peças de vestuário não. Era de se esperar, portanto, que a Forever 21 copiasse somente os modelos das peças e não suas estampas. Mas não é isso que ocorre. Ao contrário de seus maiores concorrentes, H&M, TopShop e Zara, grande parte das cópias da Forever 21 incluem o modelo e a estampa. 

As redes de fast fashion H&M, TopShop e Zara, apesar de se “inspirarem” bastante nas últimas coleções de designers famosos, não se comparam com as cópias feitas pela Forever 21, pois na Europa, onde possuem sede, o design de peças de roupas pode ser protegido com direitos autorais. Ou seja, as redes européias oferecem ao consumidor as últimas tendências das passarelas, mas sem flagrantemente copiar os modelos ou estampas. 

Os processos judiciais não são mais surpresa para a rede americana e, inclusive, fazem parte da estratégia de negócios, uma vez que saem mais barato do que contratos de licença, afirma a professora Susan Scafidi. 

A estratégia adotada pela rede é de copiar tudo aquilo que quiserem e aguardar que o designer usurpado reclame seus direitos através de ações judiciais. Advogados que atuaram em casos contra a Forever 21 afirmam que a tática da rede é normalmente a proposta de um acordo que inclui a assinatura de uma declaração de não-admissão de culpa, acordo de confidencialidade e uma compensação financeira ao designer. Os valores oferecidos, em virtude da confidencialidade acordada, não são divulgados, mas estima-se que devem ser generosos, pois até o momento não se sabe de algum designer que tenha declinado a proposta. 

Esther, Don e Linda Chang.
Foto: The Guardian

O comando da empresa tem sido gradualmente transferido para as filhas do casal Chang, Linda, 28 anos, e Esther, 23 anos. Em 2011, Linda declarou ao jornal inglês The Guardian que a Forever 21 nunca fez acordos com designers. A herdeira afirmou ainda que os produtos da rede são fabricados por empresas terceirizadas e que já foram implantados procedimentos para evitar violações a direitos autorais. 

A estratégia de silêncio utilizada pela Forever 21 tem funcionado e com base nas declarações de Linda Chang, é possível que o acordo de confidencialidade seja válido tanto para o designer copiado quanto para a própria rede. 

Artigo publicado no site SolteaGravata.com, em 09/04/2012.



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